Mais de 20 mil pessoas serão beneficiadas com a construção do sistema de saneamento integrado de Santa Luzia, na Estrutural. As obras estão em andamento desde novembro do ano passado, quando o governador Ibaneis Rocha assinou a ordem de serviço, e contam com investimento de R$ 100 milhões. O objetivo é oferecer água limpa, coleta e tratamento de esgoto, além de estruturas de captação e escoamento de águas pluviais, para uma das comunidades mais vulneráveis do Distrito Federal.
“Esse aqui foi um dos primeiros lugares que visitei na campanha de 2018, e eu vi a situação de extrema pobreza que essas pessoas viviam. E, todas as vezes que a gente conversava, a solução que se dava para cá era remover e derrubar tudo, mas eu nunca acreditei nisso. Fiz o meu compromisso com essa população e conseguimos encontrar uma saída ambiental, graças ao trabalho que foi feito por todas as equipes do nosso governo”, apontou Ibaneis Rocha na data da assinatura.

O chefe do Executivo ressaltou que a prioridade do governo é garantir moradia digna e acesso a serviços essenciais à população. “Batalhamos muito para conseguir o financiamento para que esse recurso, que será pago integralmente pelos cofres da Caesb [Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal], chegasse às famílias de Santa Luzia”, acrescentou. A comunidade está em processo de regularização e é considerada uma Área de Relevante Interesse Social (Aris), localizada na divisa com o Parque Nacional de Brasília.
O valor do sistema de saneamento básico foi financiado junto a um banco privado, aprovado pelo PAC Financiamentos, e será pago pela Caesb, responsável também por fiscalizar a empresa contratada.
“A comunidade de Santa Luzia está recebendo agora dignidade e cidadania. Ter água de qualidade e esgoto tratado é um direito da população, e nós estamos muito felizes em contribuir para mudar essa realidade”, observa o presidente da Caesb, Luís Antônio Reis. “O governador Ibaneis Rocha nos deu a missão de melhorar a vida dos moradores de Santa Luzia, e a Caesb assumiu esse compromisso. Com esse investimento de R$ 100 milhões, estamos fazendo também pavimentação e drenagem. Foi um projeto muito complexo, que exigiu muito planejamento, muitos estudos e que agora está se tornando realidade.”
Obras na porta de casa
Os serviços começaram pela Rua 64, considerada modelo para o projeto. Já foram executados 160 metros de pavimentação em bloquetes, 313 metros quadrados de calçadas, 56 ligações com hidrômetros e 59 metros de rede de drenagem. Paralelamente, ocorrem ações sociais de mobilização, com visitas aos domicílios, entrega de informativos sobre o Cartão Material de Construção, mapeamento de lideranças e alinhamento com a Administração Regional da Estrutural e a Codhab.
Uma das moradoras da Rua 64, a dona de casa Jailene Lima Xavier, de 36 anos, descreve o antes e depois do trecho, que agora conta com pavimentação em bloquetes, postes de energia e abastecimento de água. “Era bem defasado, muita lama, esgoto à céu aberto, muito lixo. Agora melhorou 100%. As ruas estão melhores e isso dá um conforto para a gente. Os filhos podem até brincar na rua”, comenta.
Mãe de cinco crianças, Jailene observa que a chegada da infraestrutura representa dignidade. “Temos comprovantes agora. Na escola dos meninos, era sempre estranho quando nos perguntavam sobre o endereço, porque não tínhamos. Até para o ônibus escolar era difícil”, relata ela, que foi beneficiada com o Cartão Material de Construção. O benefício garante R$ 15 mil a famílias em situação de vulnerabilidade social para aquisição de insumos para reforma ou reconstrução das casas. “Já comprei meus tijolos, as telhas, vou arrumar o banheiro, a cozinha e o teto, e a casa vai ficar mais digna para as crianças”.
O administrador regional da Estrutural, Alceu Prestes de Mattos, ressaltou que o sistema vai solucionar problemas antigos de modo definitivo. “Não tínhamos água, esgoto, rede pluvial, calçamento nem iluminação. Agora, de forma definitiva, toda a infraestrutura será colocada”, explica. “As casas receberam padrões de energia, para acabar com os chamados ‘gatos’. É um pacote de obras que ocorre ao mesmo tempo para atender a cidade inteira e resolver uma demanda histórica da comunidade, dando dignidade às pessoas que mais precisam”.

Serviços
O saneamento integrado exige água, esgoto, drenagem e pavimentação executados de forma conjunta. Serão instalados 27 km de rede de abastecimento de água e um booster — equipamento que aumenta a pressão na rede — para atender todo o assentamento, com 70 hectares de extensão.
A rede de esgoto terá 11 km e duas estações elevatórias, que encaminharão os resíduos à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Norte, no Plano Piloto. Também serão construídos 10 km de galerias de águas pluviais e quatro bacias de detenção, além de 35 mil metros quadrados de pavimentação asfáltica e 15,5 mil metros quadrados de pavimento intertravado.
Todas as etapas serão acompanhadas por ações sociais e de educação sanitária e ambiental, com a participação de diversos órgãos do GDF. Os moradores também serão atendidos pelo programa Água Legal, criado em 2019 para levar água potável a comunidades em áreas de regularização de interesse social.

Energia
Em outubro do ano passado, a Neoenergia Brasília iniciou a construção da rede elétrica que vai regularizar o fornecimento de energia na comunidade. Com investimento de R$ 9 milhões, a iniciativa prevê a instalação de 683 postes e 30 km de rede elétrica, sendo 10 km de média tensão e 20 km de baixa tensão. A medida contempla 4.618 famílias e segue critérios técnicos e legais rigorosos, com análises detalhadas das áreas e participação de diversos órgãos públicos, garantindo a viabilidade das obras e o respeito à legislação vigente.
A ação faz parte do programa Energia Cidadã, vinculado ao comitê do Energia Legal, desenvolvido em parceria com o GDF, e reforça o compromisso com a ampliação do acesso à energia de forma segura, regular e sustentável. Mais de 37 mil famílias foram regularizadas nos últimos três anos, equivalente a 140 mil pessoas. Em 2025, o número de beneficiados chegou a 11 mil famílias em dez regiões do DF.
Fonte: Agência Brasília

