O ator e diretor brasileiro Wagner Moura acaba de ser eleito uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista TIME, na aguardada edição de 2026. A honraria coroa um ano de consagração internacional para Moura, impulsionado pelo estrondoso sucesso de seu filme “O Agente Secreto”, e reafirma o perfil de um artista que recusa o silêncio diante das questões cruciais do nosso tempo.
O que aconteceu
- Wagner Moura foi eleito uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista TIME na edição de 2026.
- Seu reconhecimento global foi impulsionado pelo filme “O Agente Secreto” e sua ativa participação em debates políticos.
- O ator critica a polarização atual, alertando para a desvalorização dos fatos e o risco de autoritarismo.
Se o público espera estrelas de cinema apenas para serem vistas, e não ouvidas, Wagner Moura desafia essa premissa. Em Los Angeles, Moura utiliza sua plataforma para pautar questões políticas críticas, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. “Escute”, disse ele em entrevista realizada em março, “eu sou muito franco. Eu falo o que penso. Não temo. Nunca temei expressar minhas convicções, porque é assim que eu sou.”
O impacto global de “O Agente Secreto”
A inclusão de Moura na prestigiada lista da TIME reflete o impacto de seu filme mais recente. Ambientado na ditadura brasileira de 1977, “O Agente Secreto” teve repercussão global, notadamente entre o público americano, que identificou no longa a crescente ameaça do autoritarismo.
Wagner Moura, de 49 anos, interpreta um cientista fugitivo em busca de paz, um papel que lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator em Cannes e a inédita indicação de um brasileiro ao Oscar de Melhor Ator. Embora o filme não tenha levado estatuetas, o clima entre a equipe é de triunfo. “Para nós, era como: “Se ganharmos um Oscar, ótimo. Se não, estamos aqui.” Foi algo totalmente inesperado”, revela o ator, ainda empolgado com a jornada e o alcance da obra desde sua estreia.
Apesar do estrelato em produções como “Narcos” e “Guerra Civil”, Wagner Moura mantém um estilo que descreve como “velha Hollywood”. Sem redes sociais, fã de vinil e motorista de um Fusca 1959 azul, ele assume uma postura que muitos qualificam como o “antídoto analógico” para a era digital. Essa densidade vem de sua formação original em jornalismo e da leitura de intelectuais como Adorno e Benjamin, pensadores que provocam profunda reflexão.
Antídoto analógico na era digital?
“Não creio possuir a objetividade necessária para ser jornalista”, confessa o ator. “Sempre fui muito emotivo em relação ao que observava.” No entanto, ele valoriza a base que a faculdade lhe proporcionou: “Isso me moldou muito como artista, como pessoa, como cidadão. E existe a ideia de criar empatia: quanto mais você sabe sobre as outras coisas, mais empatia você tem. É apenas isso. E é disso que se trata a atuação”, pontua.
O olhar jornalístico de Moura se volta agora para o cenário assustador da polarização. “O que me assusta é que a verdade, tal como a conhecíamos, se desfez”, lamenta. “Os fatos não importam mais. Quando falamos de polarização, falamos da criação de universos paralelos, narrativas paralelas. Não coabitamos mais o mesmo espaço mental que outrora.” Ele aponta que, no passado, discordava-se sobre como lidar com o fato, mas o fato era o mesmo. “Atualmente, são versões distintas. Não são fatos; são versões da realidade”, analisa, “e isso é muito assustador.”
Diante disso, ele enxerga na arte a última barreira contra o controle estatal sobre os cidadãos. “Tudo isso já se manifesta”, adverte o artista, sobre as tentativas de governos de restringir o trabalho científico e artístico. “É um enorme sinal de alerta. Não é difícil de perceber. Quem não percebe esse sinal de alerta é cúmplice do que ocorre ou simplesmente está desatento”.
Fonte: Istoé Gente



