CPI do Crime Organizado aprova convocação de ex-governadores Cláudio Castro e Ibaneis Rocha

Comissão investiga omissões no combate ao crime organizado e mira o caso Master. Ibaneis Rocha foi convocado a prestar esclarecimentos sobre ligação entre o BRB e o banco de Daniel Vorcaro. Castro deve ser questionado sobre atuação de facções no Rio.

Foto: Agência Brasil e TV Globo

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou nesta terça-feira (31) um requerimento de convocação dos ex-governadores Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro, e Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal.

As convocações tem como objetivo ampliar a investigação sobre o caso Master, que envolve suspeitas de irregularidades em operações financeiras, lavagem de dinheiro e uso de instituições bancárias para ocultar recursos de origem ilícita.

Castro e Ibaneis renunciaram aos cargos nos últimos dias.

🔎Geralmente, em caso de convocações, as presenças são obrigatórias. No entanto, pessoas convocadas têm obtido decisões judiciais para não prestarem depoimentos em comissões.

Segundo o relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), o depoimento de Ibaneis Rocha tem como objetivo investigar os critérios que nortearam as decisões do governo do Distrito Federal em relação à gestão do BRB e às negociações com o Banco Master.

De acordo com ele, há indícios de que decisões administrativas e políticas possam ter favorecido a atuação do grupo investigado. A convocação de ex-governadores busca esclarecer se houve interferência ou omissão de autoridades na fiscalização dessas operações.

No caso de Castro, o argumento do relator é que o Rio de Janeiro tem sido “laboratório das mais sofisticadas dinâmicas de crime organizado no país”, por isso, a oitiva do ex-governador do estado é “absolutamente indispensável” para os trabalhos da comissão.

Também estava previsto para esta terça-feira (31) o depoimento do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Porém, ele não compareceu.

Próximos passos

Com a aprovação dos requerimentos, caberá à presidência da CPI definir as datas dos depoimentos. Os convocados devem ser notificados oficialmente nos próximos dias.

A comissão também analisa, individualmente, novos pedidos de convocação e quebra de sigilos bancário e fiscal de investigados, o que pode ampliar o escopo das apurações nas próximas semanas.

Possibilidade de recorrer à Justiça

Apesar da obrigatoriedade, é comum que convocados recorram ao Supremo Tribunal Federal para tentar suspender depoimentos ou garantir o direito ao silêncio. Em decisões anteriores, a Corte já autorizou investigados a não responderem perguntas que possam produzir provas contra si.

A CPI tem prazo determinado de funcionamento, mas pode ser prorrogada mediante aprovação do plenário, caso os parlamentares considerem necessário aprofundar as investigações.

Fonte: G1 DF

Compartilhe esta notícia
Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *