Opinião: o afastamento da seleção de seu povo

3 de junho de 2022 425 visualizações
Postado 2022/06/02 at 7:57 PM
Foto: Lucas Figueiredo / CBF

Em semana de jogo da seleção brasileira, e sem jogos mais relevantes da Série A do Campeonato Brasileiro, a torcida brasileira pode parar com calma para ver nossa equipe canarinho em ação. A expectativa é ainda maior pela proximidade da Copa do Mundo deste ano.

E não é por menos, recentemente foi noticiado que cada vez mais as escalações da nossa seleção são preenchidas por atletas que atuam fora do país. Segundo levantamento do ge.globo.com, neste ciclo da próxima Copa do Mundo, menos de 50% dos convocados atuam em clubes brasileiros (aproximadamente 40% dos convocados), e, desses, 45% nem entraram em campo pela seleção.

Ou seja, do universo de atletas convocados, menos de 20% são jogadores de clubes brasileiros que tiveram a chance de mostrar seu valor e para aparecer para as apaixonadas torcidas brasileiras.

Pode-se discutir que a qualidade dos elencos dos times brasileiros é baixa em relação aos clubes estrangeiros. Esse cenário é justificado pelo maior poder financeiro estrangeiro, especialmente dos clubes europeus. Mas, o que fica transparente também é que a CBF, Confederação Brasileira de Futebol ,não demonstra nenhuma vontade de valorizar o futebol nacional. E isso acontece mesmo tendo um produto como o campeonato brasileiro em mãos. A competição cada vez mais vem enchendo os estádios, mesmo em jogos de menor interesse. É notório como as torcidas de Flamengo, Palmeiras, Corinthians e Atlético-MG vem lotando as arenas, em contradição ao pouco interesse da CBF em ajudar na qualidade do produto.

Por outro lado, quando se analisa os números acima em conjunto com o que ocorreu no jogo do Brasil dessa semana, contra a organizada, mas fraca Coréia do Sul, também fica evidente a falta de vontade do comando técnico de trazer o torcedor brasileiro para seu lado. Mesmo sendo um amistoso, o técnico Tite utilizou apenas o goleiro Weverton, do Palmeiras, como jogador de clube brasileiro, deixando Arana e Léo Ortiz no banco. Pior, sequer levou a sensação palmeirense, Danilo, para o jogo. Mesmo o goleiro Weverton só teve sua chance pela chegada tardia do titular, Allison, e a contusão do reserva.

Aí fica a questão: é possível culpar o torcedor brasileiro por cada vez mais se afastar de uma seleção que só tem jogadores atuando fora?

Certo é que cabe aos gestores da CBF refletir sobre a necessidade de valorizar o atleta de clubes brasileiros, como forma de valorizar os campeonatos nacionais, mais do que simplesmente justificar por eventual maior poderio financeiro exterior.

Uma seleção que pouco joga no país, que pouco usa atletas que atuem no país, que sequer tem sensibilidade de dar chances a esses atletas em jogos mais fáceis ou simples, com certeza não terá essa simpatia toda do torcedor brasileiro.

Por fim, para falar do jogo em si, o resultado de 5 a 1 favorável ao Brasil não reflete a qualidade da partida. Não tivemos grandes momentos de intensidade ou emoção. Dois pênaltis, assinalados pelo VAR, e um fim de jogo lento da defesa coreana foram o retrato do amistoso. Ainda não é possível criar grandes expectativas para a Copa do Mundo, só a esperança da mágica brasileira e o peso da camisa.

Vitória de Nadal contra Djokovic

Mudando de esporte, deve ser dito o quanto é bonito ver uma vitória como foi o triunfo de Rafael Nadal face ao excelente, mas polêmico, Novak Djokovic, pelo Grand Slam francês de Roland Garros. Há poucas semanas vimos um Rafael Nadal quase jogando a toalha por conta de um problema físico crônico nos pés. Agora, é torcer muito pelo 14º título do espanhol nas quadras francesas, que seria o 21º título em Grand Slam do maior tenista da história!

Finais da NBA

Também dando meus pitacos sobre outros esportes, começam hoje as finais da NBA, liga de basquete norte-americano e um dos maiores espetáculos do mundo, com favoritismo tímido da equipe do Golden State Warriors, com seu jogo absoluto fora do perímetro e as cestas de 03 pontos de Stephen Curry.

Que recomecem as discussões sobre quem é o maior jogador de basquete da história, só penso como somos sortudos de ver tantos atletas fenomenais em ação.

Por Ivan Prado

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