Quem nunca caiu em uma mentira em 1° de abril? O Dia da Mentira, celebrado nesta terça-feira (1°), é a data utilizada para pregar peças e compartilhar histórias criativas.
Em Brasília, “mentiras” sobre a própria cidade se tornaram populares entre os moradores da capital federal. É o que conta João Amador, pesquisador da história de Brasília.
Verdade, ou mentira? Veja mais abaixo a explicação para cada uma dessas histórias.
Como surgiu o dia da mentira
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Entre os registros que justificam a criação do Dia da Mentira estão um do século 16, quando o Papa Gregório 13 criou um novo calendário que mudou a data do ano novo de março para janeiro.
A mudança teve resistência de parte da população francesa. Para zombar dos “revoltados” com o novo calendário, pessoas convidaram “os inconformados” para festas inexistentes em 1º de abril, marcando uma tradição de zombaria.
Outra história faz menção à criação da tradição no Brasil. Em 1° de abril de 1828, o jornal “A Mentira” publicou em sua capa a falsa notícia da morte de Dom Pedro I.
Veja mentiras sobre Brasília que ganharam fama
1. Eixo Monumental seria uma pista de avião
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Uma mentira que se tornou popular foi que as avenidas do Eixo Monumental, e a Duque de Caxias, no Setor Militar Urbano (SMU), foram construídas para que aviões pudessem pousar nelas.
João Amador diz que as largas avenidas foram planejadas para facilitar o trânsito.
“Essas vias não são construídas de puro concreto e não aguentariam um avião de grande porte”, diz Amador.
2. Haveria túneis subterrâneos ligando prédios da Esplanada
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Na construção da capital, entre 1950 e 1960, surgiu a história de que túneis secretos ligam os prédios dos três poderes na Esplanada dos Ministérios.
Segundo João Amador, o “fantasma” de um golpe sempre assombrou o governo de Juscelino Kubitschek e, talvez, esse temor tenha alimentado as histórias sobre passagens secretas.
“Um túnel conectando o Palácio do Planalto ao Congresso Nacional, por exemplo, jamais foi projetado, nem executado”, diz o pesquisador.
Em entrevista ao g1, em 2024, o professor de arquitetura e urbanismo Benny Shvarsberg, da Universidade de Brasília (UnB), explicou que há uma saída de segurança institucional da presidência, no Palácio do Planalto. Já os túneis, no entanto, são improváveis.
3. O céu de Brasília seria ‘patrimônio natural’
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Segundo João Amador, uma história bem interessante e inusitada é que o céu de Brasília teria sido tombado como patrimônio natural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O pedido pelo tombamento chegou a ser feito, em 2007, pelo arquiteto e paisagista Carlos Fernando de Moura Delphim. O processo tramitou por anos, mas foi arquivado em 2014.
“Apesar do instituto, realmente, ter recebido um pedido para que o céu fosse tombado em 2007, isso jamais aconteceu”, conta João Amador.
À época, o diretor do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização do Iphan, Andrey Rosenthal Schlee, entendeu que as condições de tombamento não eram aplicáveis ao céu.
4. Todos os blocos das superquadras de Brasília terminam em J e K
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Existe a lenda de que todos os blocos das superquadras de Brasília terminam com as letras J e K. A história diz que esse detalhe seria uma homenagem ao presidente Juscelino Kubitschek.
João Amador explica que os blocos que terminam com J e K são, na verdade, coincidência. Por exemplo, algumas superquadras têm 5 blocos, enquanto outras têm 20.
“Muitas superquadras têm 11 prédios que, seguindo a ordem do alfabeto, terminam nas letras J e K”, diz o pesquisador.
Por que espalharam essas mentiras? 
Segundo o pesquisador João Amador, a maior parte das lendas sobre Brasília nasceu da imaginação popular, refletindo o fascínio e os mistérios em torno da construção da nova capital.
“Muitas novidades acontecendo ao mesmo tempo facilitam a criação de histórias fantasiosas que se espalham rapidamente”, fala o pesquisador.
Entre os fatores que alimentaram especulações e narrativas fantásticas, João Amador destaca:
- arquitetura futurista
- ideia de uma cidade projetada do zero
- mudança repentina de milhares de trabalhadores para a região (veja vídeo acima).
“A falta de uma história urbana consolidada abriu espaço para interpretações simbólicas, teorias conspiratórias e histórias curiosas, que foram sendo transmitidas e transformadas ao longo do tempo”, diz João Amador.
Fonte: G1