Justiça do DF condena companhia de alimentos após trabalhador sofrer homofobia, racismo e desenvolver doenças relacionadas ao trabalho

Foto: Reprodução

A Justiça do Trabalho condenou a Bimbo do Brasil a indenizar um trabalhador que desenvolveu problemas na coluna e transtornos psicológicos. Ele ainda teria sido vítima de ofensas homofóbicas e raciais dentro da empresa.

A decisão foi proferida pela 17ª Vara do Trabalho de Brasília, que reconheceu que as atividades exercidas pelo empregado contribuíram para o agravamento de doenças físicas e mentais. O processo também comprovou que ele sofria humilhações e preconceito praticados por um superior hierárquico.

Segundo a sentença, o trabalhador realizava atividades com esforço físico intenso, carregamento manual de peso, movimentos repetitivos e longos períodos em pé. A Justiça concluiu que essas condições contribuíram para o agravamento do quadro de saúde do empregado.

Além disso, testemunhas confirmaram que ele era alvo frequente de ofensas de cunho homofóbico e racial no ambiente de trabalho. Para o magistrado que deu a sentença, a conduta violou direitos fundamentais e a dignidade do trabalhador.

A decisão garantiu estabilidade provisória de 12 meses após o retorno do benefício previdenciário, pagamento de horas extras, indenização pelo intervalo intrajornada reduzido e reparação por danos morais.

A empresa foi condenada ao pagamento de R$ 15 mil por danos morais relacionados à doença ocupacional e mais R$ 10 mil pelas ofensas discriminatórias. Considerando os demais direitos reconhecidos na ação, a condenação foi arbitrada em aproximadamente R$ 95 mil.

Posicionamento da empresa
Procurada pela reportagem, a assessoria da Bimbo do Brasil informou que não comenta processos judiciais em andamento. Em nota, a empresa afirmou ainda que não tolera ações discriminatórias e cumpre a legislação trabalhista.

Para o advogado do trabalhador, Marcelo Lucas de Souza, a sentença reforça que empresas têm o dever de garantir um ambiente de trabalho seguro, saudável e livre de qualquer forma de discriminação.

“A decisão reconhece que nenhum trabalhador pode ser submetido a humilhações, preconceito ou condições que coloquem em risco sua saúde física e mental. O ambiente de trabalho deve ser um espaço de respeito e dignidade para todos”, afirmou.

Sem se identificar, o trabalhador afirmou que a decisão representa mais do que uma vitória individual.
“Essa vitória na Justiça significou bastante para mim, mostrando que todo trabalhador merece dignidade e que nenhuma empresa pode passar impune de tal ato. Isso é uma vitória não somente para mim, mas também para meus colegas que continuam trabalhando lá. Espero que a empresa mude suas atitudes.”

Ele também disse que espera que o caso incentive outras pessoas a denunciarem situações semelhantes.

“Eu fiquei muito feliz quando recebi essa decisão. Vi que a Justiça pode demorar, mas não falha. Espero que outras pessoas que se sintam acuadas encontrem coragem para buscar seus direitos, porque ninguém merece sofrer ofensas, ainda mais no ambiente de trabalho.”

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